A retomada dos serviços de petróleo: por que o volume de produção supera o preço
A recente divulgação de resultados da Exxon Mobil deixou claro um ponto estratégico: lucros sólidos podem vir do aumento do volume produzido, mesmo em um ambiente de preços baixos. Vamos aos fatos. Produtoras que priorizam volume reduzem a dependência da especulação sobre o barril e geram receita mais previsível. Isso significa atividade operacional constante — e uma demanda crescente por serviços e equipamentos. Quem ganha com isso? As empresas de serviços petrolíferos.
A lógica é simples. Quando a produção sobe, aumentam perfurações, completações, manutenção e otimização de campos. São serviços que exigem mão de obra, maquinário e tecnologia. Empresas como Schlumberger (SLB), Halliburton (HAL) e Baker Hughes (BKR) fornecem justamente esse leque: desde levantamentos sísmicos até ferramentas de completação e soluções digitais para otimização. Essas empresas tendem a ver crescimento nas carteiras de pedidos quando a atividade operacional se intensifica.
Por que isso importa para investidores brasileiros? Apostar apenas na alta do preço do petróleo é uma estratégia volátil. Já a exposição a empresas de serviços petrolíferos oferece uma alternativa: receita atrelada à atividade. Em outras palavras, mesmo que o barril oscile, se as empresas produtoras mantiverem ou aumentarem o ritmo de operação, os prestadores de serviço faturam. Isso reduz, mas não elimina, a sensibilidade a flutuações de preço.
Outra peça desse quebra-cabeça é eficiência. Nos anos recentes, muitos prestadores de serviço ajustaram custos, automatizaram processos e digitalizaram operações. Resultado: margens mais resilientes e capacidade de capturar ganhos quando a demanda retorna. A adoção de tecnologias digitais e melhorias operacionais cria um diferencial competitivo e aumenta o potencial de lucro quando os pedidos se aceleram.
Quais são os riscos? Eles existem e não podem ser ignorados. A volatilidade do preço do petróleo ainda pode desencadear cortes de CAPEX que reduzem a atividade. Mudanças regulatórias e metas de descarbonização podem encarecer projetos ou limitar novas perfurações. Riscos operacionais, como atrasos e falhas de equipamento, também podem afetar resultados. E, claro, o setor é cíclico: períodos de alta podem ser seguidos por retrações que pressionam margens e utilização de capacidade.
Como avaliar a oportunidade? Observe indicadores de atividade: número de rigs ativos, níveis de CAPEX declarados pelas produtoras e crescimento nas carteiras de pedidos das empresas de serviço. Analise também ganhos de eficiência reportados, investimentos em tecnologia e exposição geográfica, pois riscos regulatórios variam por país.
E no Brasil, o que muda? Oscilações no preço do petróleo afetam gasolina e diesel nas bombas e a saúde financeira de refinarias locais. Mas a dinâmica global de volume também pode criar oportunidades para fornecedores locais e internacionais que atendem campos em águas profundas e onshore. Investidores brasileiros podem acessar essa tese por meio de ADRs ou ações listadas nos EUA, ou ainda via ETFs setoriais, lembrando sempre dos custos e do risco cambial.
Investimento não é recomendação personalizada. Considere avaliar seu perfil de risco e, se for o caso, consultar um assessor autorizado. Abrir conta em corretora e montar exposição via ações, ADRs ou ETFs é uma via prática, mas envolve riscos significativos. Não há garantias de retorno.
A questão que surge é: prefere apostar na imprevisibilidade do preço ou em uma economia de escala operacional que gera demanda contínua por serviços? Para quem busca uma forma menos especulativa de se expor ao setor de energia, empresas como SLB, HAL e BKR merecem lugar na lista de observação. Mas faça a lição de casa e mantenha o foco na diversificação.