O novo paradigma e o que muda para o investidor
Os acordos de preços promovidos pela administração Trump — a prática MFN, que vincula preços nos EUA aos menores praticados em países desenvolvidos — podem redistribuir valor dentro da cadeia farmacêutica. Vamos aos fatos: ao reduzir o chamado desconto cruzado que subsidiava mercados externos, a política tende a comprimir margens onde os preços eram historicamente mais altos. Isso significa reorganização de riscos e oportunidades para investidores, com vencedores previsíveis e perdedores evitáveis.
A questão que surge é: quem se beneficia? Em primeiro lugar, empresas com produção doméstica nos EUA ganham vantagem competitiva. Produção local reduz vulnerabilidade a tarifas, custos logísticos e disrupções de fornecimento. Exemplos práticos: companhias como Eli Lilly (LLY), que combinam forte capacidade produtiva nos EUA e portfólio de crônicos, estarão melhor posicionadas para resistir à pressão de preços.
Empresas integradas também podem tirar proveito. PBMs e redes de farmácias — pense em CVS (CVS) — podem capturar maior volume de prescrições quando preços ao paciente caírem, gerando receitas compensatórias via serviços e sinergias de cadeia. Por outro lado, fabricantes muito dependentes de margens premium nos EUA podem sofrer compressão de lucro, a menos que tenham pipelines com terapias inovadoras que preservem poder de precificação.