por que a fusão Devon–Coterra muda o jogo
A operação de US$58 bilhões entre Devon e Coterra não é apenas mais uma consolidação: ela cria um motor de demanda em escala. Isso significa que operadores maiores concentram área produtiva, padronizam processos e aumentam ordens por serviços especializados. Em valores aproximados, US$58 bilhões equivale a cerca de R$ 300 bilhões, dependendo do câmbio, um tamanho que muda negociações com prestadores de serviços, fabricantes e donos de infraestrutura.
Vamos aos fatos. Grandes produtores requerem de forma contínua fraturamento (injeção de fluidos para abrir rochas), completação (trabalhos finais que tornam o poço produtivo) e perfuração. São serviços prestados por empresas como Schlumberger (SLB), Halliburton (HAL) e Baker Hughes (BKR). Esses fornecedores vendem tecnologia, equipamentos e equipes que permitem extrair volumes maiores com mais eficiência.
A questão que surge é: quem captura o ganho econômico? Nem sempre o produtor. Prestadores de serviços, fabricantes de equipamentos e empresas midstream — que operam gasodutos, terminais de armazenamento e plantas de processamento — tendem a capturar parte significativa do aumento de atividade sem assumir risco geológico dos poços. Midstream refere-se justamente à infraestrutura que escoa e processa o gás e o óleo; fraturamento é a técnica que libera hidrocarbonetos; completação é a etapa que prepara o poço para produção.